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Espaço CriaAção da Fenekids é um sucesso

O primeiro dia de Fenekids foi bem legal. No Espaço CriaAção, a conversa sobre parto natural e parto na água contou com a presença de pessoas super especiais.

Também foi muito bom poder falar sobre slings para gravidinhas e "gravidinhos" interessaods no "Carinho & Aconchego" dos filhotes.

Aproveitamos para avisar que estamos com slings à venda no no stand (117 e 119) "Espaço CriaAção" até domingo. Amanhã (sexta-feira), no final da tarde, Roberta da Fonte deve aparecer por lá para tirar dúvidas sobre como usar, posições, até quando usar, como escolher e o que você quiser perguntar. Você também pode procurar por Aninha Katz ou Dan Gayoso.

Imagens do primeiro dia (24/11) da Fenekids:

Ana Katz (Ishtar) falando sobre parto natural durante a Fenekids

Dan Gayoso (Instituto Nômades) e Ana Katz (Ishtar) durante conversa sobre parto natural

Roberta da Fonte conversando sobre parto natural no Espaço CriaAção (Ishtar + Instituto Nômades)

Roberta da Fonte ensinando Fernanda Cordel a usar sling e Ana Katz observando

Conversa sobre parto natural no Espaço CriaAção da Fenekids
 Para saber mais sobre a presença do Ishtar, Instituto Nômades e CriaAção na Fenekids, entre AQUI.

Leia Mais…

Parto domiciliar: refletindo sobre paradigmas

Por: Dra. Melania Maria Ramos de Amorim

 "A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro”
(Ricardo Herbert Jones)

Ana Paula Caldas, médica neonatologista, em parto domiciliar, imediatamente depois do nascimento de Lis - Foto: Ana Cristina Duarte
Ana Paula Caldas, médica neonatologista, em seu parto domiciliar, imediatamente depois do nascimento de Lis - Foto: Ana Cristina Duarte

Quando começamos a escrever esta coluna para o Guia do Bebê, em 2010, nosso primeiro artigo abordou um assunto que começava então a despertar o interesse da mídia brasileira: o parto domiciliar (1). Na oportunidade, revisamos as evidências científicas disponíveis e concluímos que o parto domiciliar, uma realidade frequente em outros países, como Holanda, Inglaterra e Canadá, representava uma alternativa segura para as gestantes de baixo risco, resultando em menor taxa de intervenções como episiotomia, analgesia, operação cesariana e parto instrumental (fórceps e vácuo-extrator), sem aumento do risco de complicações para mães e bebês (2-4). Destacamos a publicação, em 2009, de um grande estudo de coorte comparando mais de 500.000 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo risco, no qual não se verificou diferença significativa no risco de morte fetal intraparto, morte neonatal precoce e admissão em unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal (4).
Interrompendo temporariamente nossa série de artigos sobre Parto Normal vs. Cesárea (5-7), voltamos agora a abordar este tema, que recentemente retoma a atenção da mídia despertando intensa polêmica, depois da publicação de matéria online no site da maior revista de atualidades brasileira, com o título sensacionalista “Parto domiciliar: quando o risco não é necessário” (8). Depois de publicar uma controvertida matéria sobre os milagrosos efeitos de uma medicação antiobesidade (9) que não é aceita pela comunidade científica com esta finalidade (10,11) a revista volta a fazer incursões na área de saúde, mas desta vez em paz com os “conselhos de medicina”, ao alertar que o parto domiciliar estaria expondo mulheres e crianças a “complicações que podem ser graves” (8).
À parte considerações puramente semânticas às quais não iremos nos ater, a matéria presta um desserviço à população com suas afirmações categóricas e sem embasamento científico, em que se confundem mau jornalismo e julgamentos apressados, além de um amontoado de lugares-comuns, como exemplificado no seguinte trecho do primeiro parágrafo: “Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais tornaram-se lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças. É regra que, dadas as condições, não faz mais sentido realizar um parto dentro casa, sujeito a problemas com consequências potencialmente desastrosas que poderiam ser resolvidas em um hospital. Regra, no entanto, que algumas mulheres moradoras de grandes centros urbanos, com todas as condições de usufruir desses avanços da medicina, questionam e ignoram. Essas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.”(8)
Ora, quem ditou essa regra que as transgressoras “moradoras de grandes centros urbanos” resolvem agora “questionar e ignorar”, defendendo o “parto à moda antiga”? Por que a revista afirma que hospitais são os “lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças”? Por que os representantes de conselhos e sociedades batem tanto na tecla de “riscos eminentes”? Seriam os riscos tão importantes assim ou foi somente um erro de grafia? E finalmente, quais são as reais implicações do artigo publicado por Joseph Wax (12) no “conceituado periódico médico internacional”, o American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG)?
Vamos por partes. Primeiro, é fato que houve grandes avanços na Medicina durante o século XX e que, por conta destes avanços, verificou-se notável queda da mortalidade materna e perinatal. Em decorrência da antissepsia e da descoberta de antibióticos, a par da introdução das modernas técnicas anestésicas, tornou-se mais seguro realizar uma cesariana, e é fato inconteste que uma cesariana bem indicada é salvadora (13,14). Transfusão sanguínea, uso de antibióticos, prevenção e tratamento das convulsões com sulfato de magnésio, todas essas tecnologias bem empregadas levaram à redução das mortes maternas por hemorragia, infecção e hipertensão e são estratégias que devem estar facilmente disponíveis nos serviços de saúde para as situações de alto risco (15). No entanto, taxas de cesariana superiores a 15%-20% não resultam em redução das complicações e da mortalidade materna e neonatal e, ao contrário, podem estar associadas a resultados prejudiciais tanto para a mãe como para o concepto (16-18).
Por outro lado, o processo de hospitalização do parto, coincidindo com esses avanços, gerou infelizmente uma elaborada proliferação de ritos e rituais em torno deste evento fisiológico, como alerta Robbie Davis-Floyd em seu instigante livro “Birth as an American Rite of Passage”(19). Esses ritos e rituais adotados pelo modelo tecnocrático de assistência ao parto vigente no mundo ocidental foram introduzidos sem evidências científicas corroborando sua efetividade e vieram como “respostas ao medo exagerado deste processo natural do qual depende a continuidade de nossa existência” (19). Como resultado, intervenções e procedimentos desnecessários como episiotomia (corte no períneo), raspagem dos pelos, lavagem intestinal, uso rotineiro de ocitocina para acelerar o trabalho de parto e cesarianas sem indicação foram progressivamente incorporados à prática médica e ainda seguem sendo realizados como rotina em muitos hospitais brasileiros. De fato, cada parturiente internada em hospital passa a ser vista como “paciente” e submetida, portanto, às “regras” desse hospital para todos os “doentes”(20) .
Foi contra essa medicalização excessiva de um processo fisiológico que os movimentos de contracultura se voltaram nos anos 1960 e 1970, e foi como consequência da pressão desses movimentos que se começou a estudar a real necessidade, segurança e efetividade de muitos dos procedimentos estabelecidos como rotina na prática obstétrica diária (21). O novo paradigma da “Saúde Baseada em Evidências” , iniciando-se na Medicina e avançando progressivamente para outras áreas que passam a se integrar em uma perspectiva transdisciplinar, tem seus pilares na década de 1970 e 1980 exatamente na Saúde Materno-Infantil (22), como resposta aos questionamentos sobre o complexo emaranhado de rituais desnecessários permeando a assistência obstétrica e neonatal (19-22).
O movimento de retorno ao que se chama “parto à moda antiga” não é novo nem representa um modismo, e tampouco pretende abdicar do que a tecnologia tem de positivo e atraente, uma vez que intervenções necessárias são bem vindas. Todos os sistemas de saúde que facultam a opção de partos domiciliares como alternativa para as mulheres que assim o desejam contam com sistemas de classificação de risco e disponibilizam não apenas parteiras treinadas como um bom sistema de transferência e transporte, embora não seja verdade que uma ambulância ou UTI móvel fique à porta desses domicílios (2-4). A Organização Mundial de Saúde reconhece como profissionais habilitados para prestar assistência ao parto tanto médicos como enfermeiras-obstetras e parteiras (23) e recomenda que as mulheres podem escolher ter seus partos em casa se elas têm gestações de baixo-risco, recebem o nível apropriado de cuidado e formulam planos de contingência para transferência para uma unidade de saúde devidamente equipada se surgem problemas durante o parto (24,25). Por sua vez, a Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura” (26). Tanto o American College of Nurse Midwives(27) como a American Public Health Association(28), o Royal College of Midwives (RCM) e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) apoiam o parto domiciliar para mulheres com gestações não complicadas. De acordo com a diretriz do RCM e do RCOG, “não há motivos para que o parto domiciliar não seja oferecido a mulheres de baixo risco, uma vez que pode conferir consideráveis benefícios para estas e suas famílias” (29).
O que há de novo nos últimos anos é que o tema passou a ter maior visibilidade no Brasil, não somente com a divulgação dos partos domiciliares de algumas celebridades, mas principalmente com o constante debate nas redes sociais, permitindo que as mulheres compartilhassem suas experiências de parto, domiciliar ou hospitalar, e pudessem compará-las. Tornou-se bastante evidente que havia uma parcela crescente de mulheres insatisfeitas com o atual modelo de assistência obstétrica em nosso país, excessivamente tecnocrático e caracterizado por um lado pelas taxas de cesárea inaceitavelmente elevadas no setor privado e, por outro, pelos partos traumáticos e com excesso de intervenções no Sistema Público de Saúde. Apesar da política de Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento preconizada pelo Ministério da Saúde no Brasil (30), é fato que o modelo atual, hospitalocêntrico e medicalocêntrico, não permite ainda à maior parte das usuárias ter uma assistência ao parto humanizada e segura. Vivemos ainda em um país onde, "quando não se corta por cima, se corta por baixo", como bem definem Diniz e Chachan, referindo-se às cesáreas e episiotomias desnecessárias (31).
Para completar, uma em cada quatro mulheres brasileiras internadas para assistência ao parto em hospitais públicos ou privados relata ter sofrido violência institucional, traduzida por qualquer forma de agressão perpetrada pelos profissionais de saúde que lhe prestam atendimento. Essas agressões não envolvem apenas o uso de procedimentos, técnicas e exames dolorosos e desnecessários, mas até “ironias, gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele” (32). A violência institucional durante o parto pode assumir múltiplas facetas e representa um problema internacionalmente reconhecido (33). Em diversos hospitais ainda não se permite a presença do acompanhante, mesmo com a Lei 11.108 estabelecendo a obrigatoriedade de tanto hospitais públicos como privados permitirem a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (34).
Em contrapartida, com o crescente acesso à informação e a divulgação da realidade nua e crua do modelo de assistência obstétrica vigente no Brasil, diversas mulheres desejando uma assistência humanizada e segura para os seus partos puderam identificar outros modelos possíveis, já implementados e funcionando a contento em outros países, além de tomar conhecimento das evidências científicas comprovando efetividade e segurança dessas alternativas. Um exemplo é o modelo de assistência obstétrica conduzida por obstetrizes ou parteiras, cujos benefícios foram amplamente demonstrados em uma revisão sistemática da Biblioteca Cochrane: aqui nos referimos àquelas profissionais que fazem curso superior de Obstetrícia, as midwives em língua inglesa, sage-femmes na literatura francesa ou ainda comadronas em espanhol (35).
Essas mulheres, empoderadas e confiantes, não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos e outros países em que ainda predomina o modelo tecnocrático de assistência ao parto, começaram a buscar profissionais, médicos, enfermeiras-obstetras ou parteiras, que se dispusessem a auxiliá-las nesta jornada rumo a um parto respeitoso, humanizado e seguro. Essas mulheres se deram conta de que parir em suas residências era uma alternativa possível e não apenas luxo, modismo ou excentricidade de famosas. Essas mulheres pesquisaram, leram e estudaram as evidências, e conseguiram encontrar como parceiros os profissionais que também vinham trilhando sua própria jornada transformadora(36), profissionais que se respaldavam no novo e desafiante paradigma da Saúde Baseada em Evidências e buscavam, portanto, modelos de assistência ao parto que funcionassem sob esta perspectiva ecológica e sustentável (37).
Desta forma, verificou-se um aumento do número de partos domiciliares assistidos no Brasil e nos EUA (38-40) e, embora não disponhamos ainda de estatísticas confiáveis sobre o percentual de partos domiciliares planejados em nosso país, sabe-se que nas grandes cidades equipes transdisciplinares vêm se formando e atuando para prestar assistência a esses partos. Depoimentos de mulheres até então anônimas estão disponíveis em blogs e redes sociais. Grupos e comunidades sobre Parto Domiciliar discutem abertamente este tema. Twitter, Orkut e Facebook permitiram a milhares de mulheres trocar informações e partilhar experiências. O tema é palpitante, a discussão está no ar e, como se trata de remar contra a corrente, não é de se admirar que o establishment médico reaja e conselhos e entidades de classe comecem a se manifestar, em geral com posição contrária à prática. Esta reação era previsível, assim transcorrem as revoluções científicas, assim se procedem as mudanças de paradigma: o modelo atual, embora falido e não sustentável em longo prazo, permite ainda a muitos profissionais soluções cômodas a que estes se aferram, de dentro de sua zona de conforto, como a praticidade e a conveniência de programar cesarianas eletivas sem indicação médica definida. Curiosamente, são estes os mesmos profissionais que defendem o "direito" da mulher de escolher sua via de parto, embora aparentemente este direito tenha mão única, só valha para a minoria de mulheres que desejam uma cesariana (6) e não inclua aquelas que desejam um parto normal nem tampouco se estenda para a decisão sobre o local de parto. A voz das mulheres e o seu direito de escolha têm sido grandemente ignorados (39,41).
Não é, portanto, surpreendente a publicação de uma matéria sobre este tema na citada revista de atualidades. Infelizmente, como sói acontecer com as matérias de interesse à saúde publicadas na referida revista, esta é tendenciosa, parcial e não considera ou interpreta equivocadamente as evidências científicas pertinentes. O próprio posicionamento do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) é apresentado de forma incorreta, porque em sua última diretriz esta sociedade, conquanto explicite que considera hospitais e centros de parto normal mais seguros, reconhece o DIREITO das mulheres de escolher o local do parto. Citando literalmente o resumo da diretriz, publicada em fevereiro de 2011: “Embora o Comitê de Prática Obstétrica acredite que os hospitais e centros de parto normal sejam os locais mais seguros para o nascimento, ele respeita o direito de uma mulher de tomar uma decisão medicamente informada sobre o parto. Mulheres questionando sobre o parto domiciliar planejado deveriam ser informadas sobre os seus riscos e benefícios baseados nas recentes evidências. Especificamente, elas deveriam ser informadas que embora o risco absoluto possa ser baixo, o parto domiciliar planejado está associado com um risco duas a três vezes maior de morte neonatal quando comparado com o parto hospitalar planejado. É importante que as mulheres devam ser informadas que a adequada seleção de candidatas para o parto domiciliar; a disponibilidade de enfermeiras-obstetras ou parteiras certificadas, ou médicos atuando dentro de um sistema de saúde integrado e regulado; o pronto acesso à consulta; e a garantia de transporte seguro e rápido para os hospitais mais próximos são críticos para reduzir as taxas de mortalidade perinatal e obter desfechos favoráveis do parto domiciliar.” (42)
Interessante é que há cerca de seis meses, outra revista de atualidades, esta internacional, publicou matéria sobre o parto domiciliar: no número de 31 de março de 2011, “The Economist” aborda o tema em uma bela reportagem, exemplo de bom jornalismo. Com o título “Não há nenhum lugar como o lar?” e o subtítulo “O lugar onde as mulheres dão à luz é um assunto controverso no mundo rico”, a matéria prima pelo senso crítico, pelo rigor investigativo e pela isenção, apresentando prós e contras e discutindo o mesmo estudo citado pela revista brasileira, porém com destaque às críticas que este suscitou na comunidade científica. Ao final, em vez de fazer terrorismo contra o parto domiciliar e decretar qual o melhor local de parto para todas as mulheres, uma reflexão importante: “Como em muitos outros aspectos da criação dos filhos, o nascimento ao final irá depender da escolha dos pais – se preferem as luzes brilhantes e a abundância de métodos analgésicos de um hospital ou os confortos familiares do lar.”(43)
Em relação ao estudo citado como evidência dos riscos dos partos domiciliares, no qual o ACOG se apoia para desaconselhar o parto domiciliar, trata-se de uma revisão sistemática com metanálise (12) que tem sido extremamente criticada dentro da comunidade científica, por diversos vieses e erros metodológicos e estatísticos (44-49). Não se trata de um estudo original nem tampouco inclui ensaios clínicos randomizados, apenas estudos observacionais que foram mal interpretados e incluídos ou excluídos arbitrariamente pelos autores nas análises dos desfechos considerados de interesse (49). Esta metanálise tem sido amplamente divulgada como "prova" dos riscos perinatais decorrentes de partos domiciliares e constitui a base para as recomendações do ACOG em relação às informações que devem ser apresentadas como o “estado da arte” das atuais pesquisas sobre parto domiciliar (50). Portanto, iremos discuti-la com maiores detalhes, apresentando uma síntese dos seus resultados e das críticas já publicadas nas revistas científicas internacionais, motivando até mesmo a publicação de uma errata reconhecendo erros na análise estatística(51).
A revisão sistemática de Wax e colaboradores foi apresentada inicialmente no 30º. Encontro Anual da Sociedade de Medicina Materno-Infantil de Chicago em fevereiro de 2010, publicada online no American Journal of Obstetrics and Gynecology em julho de 2010 e na versão impressa em setembro do mesmo ano (12). A metanálise incluiu 12 estudos originais e um total de 342.056 partos domiciliares e 207.551 partos hospitalares planejados. No resumo do artigo, os autores concluem que os partos domiciliares planejados se associam com menor risco de intervenções maternas, incluindo analgesia peridural, monitoração eletrônica fetal, episiotomia, parto operatório, além de menor frequência de lacerações, hemorragia e infecções. Dentre os desfechos neonatais dos partos domiciliares planejados, verificou-se menor taxa de prematuridade, baixo peso ao nascer e necessidade de ventilação assistida. No entanto, apesar de as taxas de mortalidade perinatal serem semelhantes entre partos domiciliares e partos hospitalares, os partos domiciliares se associaram com aumento de cerca de três vezes das taxas de mortalidade neonatal.
O artigo em questão gerou intensa polêmica na comunidade científica internacional, seguindo-se diversas cartas publicadas em sequência no próprio AJOG (44,46,47,52), das quais uma tem o provocativo título “Parto domiciliar triplica a taxa de morte neonatal: comunicação pública ou má ciência?” (45). Diante de todas as críticas, o AJOG resolveu investigar o estudo em questão, e a revisão pós-publicação de fato encontrou erros na análise original, embora não tenha alterado suas conclusões (51). A própria Nature se interessou pela questão, porém mesmo solicitando diversas vezes que tanto Wax como o ACOG comentassem os problemas apontados por vários especialistas, estes declinaram o convite (53). A Elsevier, editora que publica a revista, reconhece os erros, mas não acredita que estes possam motivar uma retratação (54).
Tentando resumir a enorme quantidade de críticas feitas à metanálise de Wax, podemos afirmar que, à diferença das revisões sistemáticas da Cochrane, esta não seguiu as diretrizes estabelecidas internacionalmente para condução e publicação de metanálise, como o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) (55) ou o MOOSE (Meta-Analyses and Systematic Reviews of Observational Studies)(56). Diversos erros estatísticos foram cometidos, até porque os autores utilizaram uma calculadora para a metanálise que apresenta vários problemas, resultando em Odds Ratio e intervalos de confiança incorretos, o que foi reconhecido pelo próprio autor do programa (49). No entanto, o principal erro enviesando a análise não foi estatístico, e sim um viés de seleção dos estudos, porque os autores da metanálise excluíram o grande estudo de coorte holandês (4) do cálculo do risco de morte neonatal, embora o tenham incluído no cálculo do risco de morte perinatal. Na verdade, os dados da metanálise são contraditórios em relação à morte neonatal e perinatal basicamente porque os autores definiram morte perinatal como morte fetal depois de 20 semanas ou a morte de um recém-nascido vivo nos primeiros 28 dias de vida, em vez de nos primeiros sete dias de vida, como é a recomendação internacional! (57) Por outro lado, outros estudos usados para calcular o risco de morte neonatal foram incorretamente incluídos e outros que poderiam ter sido incluídos para o cálculo de morte perinatal foram excluídos, por razões que não ficam bem claras. Os dados utilizados para o cálculo de morte neonatal incluíram partos que não tinham sido assistidos por parteiras ou enfermeiras-obstetras certificadas, o que já se demonstrou ser fator importante para redução dos riscos (49). Mesmo revisando os dados e apresentando os gráficos em uma publicação ulterior na revista com os novos números calculados corretamente (51), isto não resolve os sérios problemas metodológicos pertinentes à definição de termos e critérios de inclusão e exclusão (49).
Em suma, como refere Keirse em seu brilhante artigo publicado na Birth em Dezembro de 2010 (“Home Birth: Gone Away, Gone Astray, and Here To Stay”) “combinar estudos de parto domiciliar e hospitalar, sem diferenciar o que está dentro deles, onde eles estão e o que os circunda, é semelhante a produzir uma salada de frutas com batatas, abacaxi e salsão”. (48)
O debate em torno do parto domiciliar, não apenas no Brasil mas em todo o mundo, tem se tornado extremamente polarizado e politizado (48), de forma que nós não esperamos que essas críticas resolvam a polêmica. De fato, pode ser difícil gerar recomendações fortes com base em evidências fracas, oriundas de estudos observacionais, mas o mínimo que profissionais e sociedades deveriam reconhecer é que também não dispomos de evidências fortes corroborando a segurança do parto hospitalar para parturientes de baixo risco e seus neonatos. O desenho de estudo ideal para avaliar uma prática ou intervenção é um ensaio clínico randomizado, e metanálises de estudos observacionais, mesmo quando bem conduzidas e sem erros grosseiros como os encontrados na metanálise de Wax e colaboradores, não têm o mesmo poder das revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados, como aquelas incluídas na Biblioteca Cochrane.
No entanto, randomizar mulheres para parto domiciliar ou hospitalar é virtualmente impossível: de acordo com Keirse, essas mulheres para quem “tanto faz” parir em casa como no hospital seriam tão raras quanto elefantes brancos (48), mas mesmo que estas mulheres fossem encontradas, dificilmente as conclusões de um ensaio clínico randomizado com esta amostra poderiam ser extrapoladas para mulheres diferentes em situações e contextos clínicos diferentes. Mulheres que DESEJAM ter seus bebês em casa diferem substancialmente daquelas que escolhem um parto hospitalar, da mesma forma que os profissionais que prestam assistência a partos domiciliares ou exclusivamente a partos hospitalares também são bastante diferentes entre si (48).
Dentro do novo paradigma da Pesquisa Translacional, entretanto, em se considerando a implementação de soluções na “vida real”, dentro de uma perspectiva de sustentabilidade e em um modelo de atenção centrado no usuário, é forçoso reconhecer que outros estudos além dos ensaios clínicos randomizados são necessários, o que desafia a hierarquia tradicional da qualidade dos estudos (58). Em um ambiente acadêmico tradicionalmente dominado pelos ensaios clínicos randomizados, desponta a importância de outras abordagens tipológicas não hierárquicas (59). Identificar necessidades, aceitabilidade, efetividade e desenvolver soluções sustentáveis, eis o desafio da pesquisa em Saúde para o século XXI.
Na prática, devemos considerar que tanto gestantes como profissionais de saúde têm sempre o mesmo e primaz objetivo de garantir uma experiência de parto satisfatória, com mãe e bebê saudáveis. Por outro lado, é um direito reprodutivo básico para as mulheres poder escolher como e onde irão dar à luz (60,61). Essa escolha deve ser informada pelas melhores evidências correntemente disponíveis, e essas evidências sugerem, sem se considerar a metanálise equivocada de Wax, que o parto domiciliar é uma opção segura para as parturientes de baixo risco atendidas por profissionais qualificados. Como vantagens em relação ao parto hospitalar se destacam a menor frequência de intervenções para a mãe e o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar (37,39,40) As taxas de mortalidade perinatal e neonatal são semelhantes àquelas observadas em partos hospitalares de baixo risco (2-4). No entanto, a decisão final deve se basear tanto nas evidências como nas características e expectativas das gestantes, bem como na experiência e qualificação dos prestadores e nas facilidades de acesso aos serviços de saúde (25,26,28,29).
Mais importante do que criticar as mulheres que escolhem ter um parto domiciliar e condená-las por estarem transgredindo uma “regra” imaginária é discutir e implementar estratégias para aumentar a segurança e a satisfação das usuárias em TODOS os partos (48). Isto inclui tanto melhorar e humanizar a atenção hospitalar no sentido de que os partos assistidos em maternidades ou centros de parto normal possam representar uma experiência gratificante para as mulheres, como estabelecer diretrizes para a seleção adequada das candidatas ao parto domiciliar.
Fotografia: Ana Cristina Duarte
Agradecimentos: Ana Cristina Duarte, Roxana Knobel, Carla Andreucci Polido e Roselene de Araújo, pelos comentários e sugestões; Ana Paula Caldas, por ter cedido a foto e pelo exemplo inspirador.
REFERÊNCIAS
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O sono do bebê

Silêncio, o bebê está dormindo!
O sono alimenta, faz crescer, relaxa, ajuda no desenvolvimento e é indispensável à manutenção da saúde física e mental da criança.
 

Tabela da soneca:

Idade                            Número aproximado de horas de sono:

Recém-nascido               16 a 20 horas por dia

Três semanas                 16 a 18 horas por dia

Seis semanas                  15 a 16 horas por dia

4 meses                          9 a 12 horas mais duas sonecas (2 a 3 h)

6 meses                         11 horas mais duas sonecas (2 a 3 h)

9 meses                         11 a 12 horas mais duas sonecas (1 a 2 h)

1 ano                             10 a 11 horas mais duas sonecas (1 a 2 h)

18 meses                       13 horas mais 1 ou duas sonecas (1 a 2 h)

2 anos                            11 a 12 horas mais uma soneca (2 h)

3 anos                            10 a 11 horas mais uma soneca (2 h) 
 
Fonte: Enfª Maylu Souza

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Maternidade e trabalho podem, SIM, andar juntos!

Deputada italiana leva bebê de 7 meses para o Parlamento Europeu

Fonte: Revista Crescer


Enquanto participava de uma votação, a filha de Licia Ronzulli se distraía no colo da mãe com um biscoito e brinquedos. Saiba o que fazer quando você precisa levar os filhos para o trabalho

Ana Paula Pontes

Reuters/Latin Stock

A deputada italiana Licia Ronzulli no Parlamento Europeu com a filha de 7 meses

Sua agenda de trabalho está cheia para o dia seguinte, e, ao acordar, recebe um telefonema da babá dizendo que não vai poder ir para a sua casa. Qual a primeira coisa que passa pela sua cabeça? “Que bom seria se meu filho pudesse ir comigo”, certo? Neste mês, a deputada italiana Licia Ronzulli, de 35 anos, aproveitou as regras europeias parlamentares - que permitem que as mulheres levem seus bebês ao trabalho - e participou de uma votação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, ao lado da filha, Victoria Ronzulli, de 7 meses. A sessão aconteceu para marcar o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, a pequena permaneceu tranquila no colo de sua mãe e se mostrou mesmo interessada no biscoito que tinha em mãos. Em 2010, com apenas um mês, Victoria já tinha ido ao trabalho com Licia e dormiu sossegada no sling preso ao colo da mãe durante a sessão.

Se o seu trabalho também permite essa flexibilidade, aproveite nossas dicas se for levar as crianças com você.

Com os filhos no trabalho

Antes de sair de casa:

-Se as crianças já entenderem, explique que você precisa ir para o trabalho e que elas irão junto - conte este detalhe para o seu chefe também.

-Para as maiores, leve o brinquedo e o livro favoritos, além de papel e lápis de cor. Coloque na bolsa bolachas, frutas secas e suco de caixinha para a hora da fome.

-Se você tiver um bebê, organize as coisas para uma eventual troca, como fraldas e uma muda de roupa, e um brinquedo para entretê-lo. Se ele não mama mais no peito, leve leite e uma fruta.

Na empresa:

-Procure um espaço perto de você onde elas possam ficar brincando ou desenhando.

-Chame um amigo do trabalho que gosta de crianças para entretê-las um pouco. Uma volta pela empresa pode ser muito divertida.

-Evite acidentes e deixe-as distante de bebedouros e máquinas de café.

-Se for um bebê, tente mantê-lo um pouco no carrinho, ao seu lado. Certamente aparecerão muitas pessoas querendo pegá-lo. Aproveite este momento para resolver as pendências.

-Se não houver espaço no banheiro, você pode trocá-lo usando o banco do seu carro como trocador.

Fonte: Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e terapeuta familiar


Antes dessa votação a deputada já havia sido alvo de admiração quando levou a filha, com 1 mês na época, para o parlamento.

Fonte: A Ervilha Cor de Rosa


Licia Ronzulli, eurodeputada italiana, foi uma das imagens do dia de ontem por ter levado a sua filha de um mês para o parlamento como forma de chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas mulheres europeias que tentam conciliar maternidade e uma carreira profissional.


Licia Ronzulli
© REUTERS / Vincent Kessler

Artificial Ape Man: How Technology Created Humans (via DaddyTypes): Conciliar a maternidade com a sobrevivência é a necessidade por detrás da teoria de que um tipo simples de porta-bebés terá sido uma das primeiras e mais fundamentais invenções humanas (Hominídeos - o andar ereto feminino do cerrado trouxe um problema real: os bebês não poderiam se agarrar a elas como um bebê chimpanzé ia com sua mãe. Transportar uma criança teria sido o grande desafio para um hominídeo do sexo feminino - superior a lactação. Então, o que elas fizeram? Passaram a transportar os seus recém-nascidos com um laço de tecido animal).


Nairobi to Cape Town 07 - Himba papoose
Nairobi to Cape Town 07 – Himba papoose by Neil from Lindfield

Vejo cada vez mais crianças em carrinhos de bebés. Crianças com três, quatro e cinco anos! Crianças no carrinho a jogar consola, crianças no carrinho a beber refrigerantes e os pais a empurrar rua acima rua abaixo. Sinceramente, nem a triste desculpa habitual de que é mais cómodo parece justificar esta tendência. Portugal já é um dos países com maior incidência de obesidade infantil – chegaremos certamente ao topo da tabela daqui a pouco tempo.

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Avós ajudam a mimar crianças, deixando educação só para os pais

IRENE RUBERTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Eles buscam na escola, levam à natação, ajudam no banho. Cada vez mais avós respondem por cuidados com as crianças Mas a questão é que eles também liberam o doce antes do jantar.
Os pais não poderiam contar com ajudantes mais confiáveis e preparados. Só que divergências no jeito de educar os pequenos podem tumultuar a convivência.
"Regras devem ser bem combinadas entre adultos", diz pedagoga
 

Carlos Cecconello/Folhapress
Heitor, 1 ano e 7 meses, entre a mãe, Débora Ramos Batista, 37, e a
 avó, Beatriz
Heitor, 1 ano e 7 meses, entre a mãe, Débora Ramos Batista, 37, e a avó, Beatriz  

"As avós acham que, se deu certo da forma como fizeram com os filhos, não há por que mudar. Mas a medicina evoluiu muito" diz o pediatra Fabio Ancona Lopez, que lança hoje o livro "Avós e Netos" (Manole),um manual de convivência.
Segundo ele, muitas avós insistem em dar chás e papinhas para bebezinhos, quando a recomendação, hoje, é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses.
Avós também estão presas à ideia de que "mais gordinho é mais fortinho", afirma. "A criança que passa mais tempo com avó tende a ter um ganho de peso maior."
Se é assim, Lopez pede que a avó participe das consultas. "Pediatra que não ganha a avó perde o cliente", diz.
Além de ter guloseimas, a casa dos avós costuma ser um espaço gostoso onde netos podem assistir TV até tarde, comer no sofá etc.
Quer dizer: mais motivos para discussões entre pais e avós. "Na casa dos pais é uma lei, na dos avós é outra", libera geral a psicóloga Ceres Alves de Araújo.
"Quem educa é pai e mãe, os avós não têm essa função."
Vovô e vovó estão, portanto, autorizados a deixar o neto fazer tudo, até o que talvez negaram aos filhos, quando eram papai e mamãe.
Mas, se os pais da criança fazem um pedido tipo não dar chocolate à criança, os avós devem atender, diz a psicóloga. "Agora. se não há ordem contra, tudo bem."
Se pais e avós não forem um só time, o pequeno percebe e tira proveito. "Sem acordo, a criança manipula", diz.
É preciso ficar claro que quem manda são os pais. "Se a criança pede algo aos avós, esses devem dizer que vão consultar os pais dela antes."
Beatriz Ramos, 63, diz se esforçar para não interferir na educação do neto Heitor, um ano e sete meses. "Tento ser solidária, mas respeitar o espaço. É preciso estar por perto, mas não tão perto."
Antes de arrumar uma briga por uma bobagem, os pais devem levar em consideração a dedicação dos avós.
"É preciso saber agradecer, lembrar que eles não têm obrigação de cuidar de criança, e que isso às vezes é um esforço para uma pessoa de mais idade", diz Tania Zagury, professora da UFRJ que lança o livro "Filhos: Manual de Instruções".
Para ela, avô não estraga neto. "O maior estrago pode ser mimar um pouco, mas o ganho afetivo é maior que qualquer mau hábito que a criança possa adquirir."
A convivência entre avós e netos beneficia os dois lados, claro. A tarefa de cuidar de criança faz com que muitos avós se sintam úteis e renovados. "Pessoas aposentadas e deprimidas ganham motivação com a responsabilidade, além do carinho da criança", diz Lopez.
Do lado dos netos, os ganhos vão além dos mimos. "A criança percebe o processo de envelhecimento, aumenta seu respeito pelos idosos e tem uma noção mais completa de família", diz a educadora Tânia.

NOVAS FAMÍLIAS
 
Os avós são figuras importantes nas novas famílias, com tantas separações e ramificações. "Aos avós cabe o papel de promover a unidade e harmonia dessas famílias ampliadas", diz Lopez.
Muitas vezes, são os avós que têm novas uniões: surgem as figuras da avó madrasta, a "avodrasta", e do "avodrasto". "Avós acabam abarcando uma infinidade de crianças introduzidas na família", diz Ceres.
A Câmara dos Deputados aprovou projeto que dá aos avós o direito de visitar os netos, filhos de pais separados. Não é raro a criança manter só o vínculo familiar com quem obteve a guarda. Falta a sanção presidencial.
O administrador Danilo Chasles, 72, diz que remoçou com o nascimento do neto, Gabriel, 2. Vovô o acompanhou desde os exames de ultrassom e cuidou do menino quando recém-nascido.
"O Gabriel chama meu pai de 'vovô amigão'", diz a psicóloga Luciana Chasles, 32. E o "amigão" conta: "Quando vou buscá-lo na escola, ele corre e pula no meu colo."

CASA DA VOVÓ X ESCOLINHA
 
Quem não pode contar com os pais em tempo integral para deixar os filhos recorre às escolas infantis.
"Deixar com os avós é vantajoso pelo vínculo amorosos", afirma a professora Maria Márcia Sigrist Malavasi, coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp.
Mas as chamadas escolinhas oferecem vantagens. "Esses espaços possuem uma metodologia para cada faixa etária e criam um clima coletivo. As crianças aprendem a repartir, a perder e a ganhar", afirma a professora.
Um estudo de pesquisadores britânicos mostrou que bebês que estavam sob os cuidados dos avós aos nove meses de idade apresentaram mais problemas de comportamento aos três anos em comparação com crianças que estavam em creches, escolinhas ou com babás.
Foi provado que os bebês que convivem mais com os avós têm mais facilidade para vocabulário, mas perdem em experiências sociais.
"Os espaços cuidadores são mais lúdicos, a criança começa a ter uma desenvoltura melhor", defende a professora da Unicamp. "Se estiver pintando ao lado de um colega, a criança vai olhar o que o outro está fazendo, tentar imitar. Em casa, é provável que a avó queira ajudar com a pintura, e a criança não se sentirá tão desafiada."


Editoria de Arte / Follhapress/Editoria de Arte / Follhapress
Fonte: Folha.Com

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Leite materno: sinônimo de bebês bem alimentados



Autoridades de Saúde estimulam mães a amamentarem os seus filhos até os dois anos de idade ou mais.
 
No lugar das chupetas e mamadeiras, entra em cena o leite materno. Amamentar no peito significa proteger a saúde do bebê de doenças como diarréias, distúrbios respiratórios, otites e infecções urinárias. Somado a isso, um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que o aleitamento materno como único alimento ao longo dos primeiros seis meses de vida pode reduzir em até um quinto os índices de mortalidade infantil em países em desenvolvimento. 

Especialistas também acreditam que o bebê amamentado conforme o recomendado terá menos chance de desenvolver diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e, em mulheres, ajuda no combate à osteoporose. Para as mães, a amamentação proporciona redução do sangramento após o parto, diminuição da incidência de anemia, câncer de mama e ovário. Ótimos motivos não faltam para que o leite materno seja um companheiro nos primeiros tempos de vida da criança. 

Mas o que muitas mães ainda desconhecem é que o leite materno deve ser dado associado a alimentos saudáveis, de preferência  preparados em casa, até os dois anos de idade ou mais. Nessa fase, o leite materno continua garantindo proteção contra infecções e nutrientes especificos para o ser humano. A introdução de verduras, legumes, cereais, carnes, grãos  e frutas, após os seis meses, acrescenta novos nutrientes necessários para a continuidade do adequado crescimento e desenvolvimento.

O conceito foi reforçado para a população durante a Semana Mundial de Amamentação de 2005, promovida pelo Ministério da Saúde de 25 a 31 de agosto. O lançamento da semana contou com as participações da modelo Vera Viel e da atriz comediante Maria Paula. Elas foram madrinhas da campanha e cederam gratuitamente suas imagens para incentivar outras milhões de brasileiras a este hábito mais do que saudável. Vera Viel, esposa do ator Rodrigo Faro, ganhou Clara no último dia 18 de junho e Maria Paula estimula a continuidade do aleitamento materno até os dois anos de idade, com a filha Maria Luiza, que completou um ano e dois meses de idade.  'O leite materno é um alimento e um remédio', disse o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, durante a solenidade de abertura da campanha no Brasil. 

Necessidades preenchidas

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria mostram que, em média, bebês de seis a oito meses obtêm 70% de suas necessidades energéticas no leite materno. Os que possuem de nove a 11 meses têm 55% e os com 12 a 23 meses detêm 40% das necessidades nutricionais com o leite materno. Daí a importância de aliar a amamentação com alimentos complementares na dieta de crianças com mais de seis meses de idade.

Mas os números ainda estão longe do ideal. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que quase todas as crianças brasileiras (cerca de 97%) iniciam a amamentação no peito logo nas primeiras horas de vida, mas permanecem mamando por um período curto.

Segundo o órgão, a média de aleitamento materno exclusivo da população brasileira, em 1999, era de 23 dias e do aleitamento materno era de 9 meses e 9 dias. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dioclécio Campos Júnior, a prática não deve ser interrompida. Segundo ele, o aleitamento materno exclusivo transfere à criança, além dos nutrientes, substâncias e células. "São esses anticorpos que as protegem de infecções", explica.   Para tentar combater os baixos índices de aleitamento e o desmame precoce, o Ministério da Saúde investe em importantes ações desenvolvidas nos serviços de saúde dos estados e municípios e em campanhas nacionais e publicações para a promoção à amamentação e alimentação saudável. 

Por muitos anos a amamentação foi considerada um ato instintivo e natural sabendo-se hoje que para o sucesso é preciso um equilíbrio entre a natureza e a cultura. A interação entre mãe e bebê é necessária e o correto posicionamento e pega da aréola ainda precisam ser ensinados. Especialistas no assunto ressaltam que o correto posicionamento do bebê, a adequada pega da aréola e a amamentação sem horários predefinidos ou rígidos devem ser garantidos para que a criança sinta-se estimulada a mamar.  Esses fatores influenciam no ato de amamentar e podem contribuir para aumentar os índices de adesão ao aleitamento materno.
 
Caseira e natural 

E como deve ser a dieta da mãe durante o período de amamentação? Essa é uma pergunta que muitas mulheres se fazem, sem saber se há restrições para alguns tipos de alimentos. A presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Elsa Giugliani, responde: "caseira, natural e saudável". De acordo com ela, a lactante não precisa manter uma dieta diferente do restante da família, desde que tenha alto valor nutritivo. 

E no que diz respeito ao cigarro e às bebidas alcoólicas, nunca é demais falar que as mães devem evitar o consumo, para que não haja interferência na qualidade e quantidade do leite materno e nem traga prejuízos para a saúde da criança. 

Bancos de Leite Humanos

As casas de promoção e apoio à amamentação, os conhecidos Bancos de Leite Humano, ajudam mulheres a amamentar, coletar, processar e distribuir leite humano. Segundo a Coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde Sonia Salviano, os Bancos de Leite Humano são também unidades de excelência para o cuidado com as mães que apresentam dificuldades para amamentar .  Os Bancos de Leite humano estão presentes em todos os estados brasileiros e fornecem leite humano pasteurizado especialmente para os recém nascidos que nascem prematuros ou doentes. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Rede Nacional de Bancos de Leite Humano do Brasil é a maior do mundo, com 187 unidades. 


Durante o lançamento da Semana Mundial de Amamentação no Brasil, o ministro assinou dois termos de compromisso com a Secretaria de Saúde de Goiás e a Superintendência do Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul. Na Semana Mundial da Amamentação o Ministério também garantiu a implantação de mais duas unidades em Mato Grosso do Sul e 1 em São Paulo A idéia é garantir a expansão da Rede de Bancos de Leite Humano respondendo a compromissos assumidos no Pacto pela Redução da mortalidade neonatal e Metas Globais para o Desenvolvimento do Milênio. 

Serviço  

A Rede de Bancos de Leite do Brasil, que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), oferece seus serviços gratuitamente à população. Durante a gestação, as mulheres devem procurar se informar sobre as vantagens da amamentação e quais as melhores formas de amamentar o bebê. As mães podem buscar informações ou ajuda nos bancos de leite, centros de saúde, hospitais e maternidades - principalmente os reconhecidos como "Amigo da Criança" - ou com agentes do Programa de Saúde da Família (PSF). Quem quiser pode entrar em contato com o Disque Saúde pelo: 0800-61.1997

Saiba mais sobre os benefícios do leite materno 

O aleitamento materno contém a quantidade de água suficiente para as necessidades do bebê. Isso também serve para países com temperaturas muito quentes. A oferta de água, chás ou qualquer outro tipo de alimento que não seja o leite materno aumenta as chances do bebê adoecer ou rejeitar o leite da mãe. A prática não é saudável e pode substituir o volume de leite materno que o bebê ingere. A inserção de outras substâncias líquidas em mamadeiras ou uso de chupeta, também faz com que o bebê engula mais ar (aerofagia), o que resulta em  desconfortos abdominais ou cólicas freqüentes. Além disso, a chupeta e o bico da mamadeira acostumam o bebê a sugar de forma incorreta fazendo com que ele não consiga retirar do peito todo leite que necessita. 
* Listamos uma série de conselhos úteis para mamães que ainda tem dúvidas na hora da amamentação. Veja a forma de colocar o bebê no colo e o que fazer quando o bebê não consegue sugar corretamente o leite do peito
 
- A mãe que amamenta deve estimular o bebê a sugar corretamente Inclusive à noite.

- É importante observar de que forma o bebê está sugando o leite. A pega correta é garantida quando o bebê está bem apoiado no braço da mãe, com o pescoço na dobra do braço e a barriga encostada no corpo da mãe. Dessa forma ele consegue abrir bem a boca, abocanhar toda ou quase toda região areolar e virar os lábios para fora.  A pega errada prejudica o esvaziamento total da mama e impede que o bebê mame o leite do final da mamada, rico em gordura. Quando isso acontece, diminui a saciedade da criança e faz com que os intervalos entre as mamadas sejam mais curtos. 

- O tempo de sucção, depende de cada bebê. Existem os que conseguem sugar todo o leite em poucos minutos e os que demoram até meia hora para retirar o leite necessário. Em qualquer um dos casos é importante respeitar o ritmo da criança. 

- A produção adequada de leite depende da sucção do bebê e da vontade da mãe em amamentar. É a freqüência das mamadas e a correta pega quem garantem níveis elevados de  prolactina (hormônio responsável pela produção do leite) e de ocitocina (hormônio que regula a ejeção de leite). 

- Nos casos de mães que por algum motivo produzem pouco leite, o bebê ganha menos de 15g por dia, molha menos de seis fraldas e ao toque, as mamas da mãe parecem flácidas. Com a ajuda de um profissional de saúde, a mãe pode estimular as mamadas do bebê com mais freqüência, inclusive durante a noite fazendo com que a produção aumente e passe a atender as necessidades do bebê. Nesse casos é fundamental observar a mamada e garantir uma pega adequada..  

- Mães HIV positivas não podem amamentar seus filhos.
* Veja a seguir um quadro com sinais de que a criança está mamando de forma adequada:
Boa posição 
- O pescoço está apoiado na dobra do braço da mãe
- O corpo da criança está apoiado no braço da mãe,  as nádegas com a mão. O bebê deve estar virado para o corpo da mãe
- A barriga do bebê está encostada no corpo da mãe
- O bebê e a mãe devem estar confortáveis.
- A mãe não deve sentir dor. Se isto acontecer significa que a pega do bebê está errada
Boa pega  
- a boca está bem aberta;
- o queixo está tocando o peito;
- lábio inferior e superior voltados para fora
- a bochecha está arredondada;
- Há mais aréola visível acima da boca do que abaixo 

* Fonte: Ministério da Saúde/ Dez passos para uma alimentação saudável

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O parto normal é possível após uma cesárea

Para muitas mães ter um parto normal após uma cesárea, significa fazer as
pazes consigo mesma.

Clínica Salvatore Meira

“O parto normal é possível após uma cesárea”


Artigo escrito por Krishna Tavares (krisproduc@estadao.com.br)

Diante da mudança de quem imaginou o parto vaginal durante noves
meses, muitas mãe se sentem frustradas, acreditando que foram incapazes
de parir o próprio filho. É preciso esfriar a cabeça e tentar entender os
motivos que justificam o parto cesárea. Muitas vezes, a intervenção
cirúrgica se faz necessária para preservar a vida do bebê e da mulher. Mas
isso só se justifica quando o risco de fato existe. Neste caso, a relação com o
obstetra deve ser de plena confiança e respeito mutuo.

Muitas mulheres se sentem menos mãe após um parto cesárea, o que não é
verdade. Caso a cesárea tenha sido inevitável, a mulher perceberá que a
maternidade não passa apenas pelo parto que podemos oferecer aos nossos
filhos. De qualquer forma, ter um parto cesárea na bagagem, não exclui a
possibilidade de ter um parto normal no futuro. Além de estabelecer uma
relação de confiança com o médico, a mulher deve participar ativamente de
sua gestação. O que significa, ter um dialogo aberto e franco com o obstetra,
buscar informações sobre todos os tipos de parto e ter a opinião de outros
profissionais.

Desejar um parto normal após uma cesárea, é algo totalmente normal e
possível. A mulher não deve se sentir “condenada” à cesárea em seus
próximos partos. O que deve ser feito é uma avaliação geral pelo seu
médico e por você. De qualquer forma, isso requer vontade interior de
ambas as partes e tranqüilidade para aceitar o imprevisível.
Os riscos do parto cesárea.

Segundo o ginecologista e obstetra Adailton Salvatore Meira, hoje em dia, o
parto cesárea se apresenta como uma cirurgia com muita segurança, rápida
e com baixa morbidade e mortalidade. Entretanto, “não deixa de ser uma
cirurgia, e de qualquer modo tem mais morbidade e mortalidade que um
parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê”, alerta ele. Para o
obstetra, só se deve recorrer a cesárea quando há riscos para a mãe e o bebê.
“O parto cesárea pode apresentar riscos de infeções, hemorragias, aumentar
a chance de placenta prévia em gestações subsequentes, dor na recuperação
pós-parto, etc.”, explica ele.

Em alguns casos, o parto cesárea se faz necessário. Por isso, para evitar a
avaliação precoce, é preciso que paciente e médico tenham calma para
decidir juntos o que deve ser feito em momento tão delicado. “O que tem
prevalecido em nosso meio é a cultura de que a cesariana é o melhor tipo de
parto. Sua prática pode ser melhor para o médico, que se programa para
agendar uma série de cesáreas no mesmo dia”, pontua, o ginecologista e
obstetra e membro do Corpo Clínico da Maternidade São Luiz, Claudio
Basbaum.

Elas preferem parto normal

Segundo dados apresentados pelo Dr. Adailton Salvatore Meira, baseados
em um estudo realizado pela Universidade de Austin no Texas, em várias
cidades do Brasil, as gestantes preferem parto normal. A pesquisa
entrevistou 1136 mulheres em duas entrevistas na gravidez e uma depois
do parto, tanto de clientes do sistema público como de convênios
particulares.

A preferência por parto normal era semelhante nos dois grupos, entre 70% e
80%. Entretanto, a cesariana ocorreu em 31% dos casos no sistema público e
72% de convênios. Os entrevistadores se surpreenderam que muitas
cesarianas foram decididas antes mesmo da internação para o parto. Outro
dado revelador para o obstetra, é que as mulheres de classe A e B, ao
contrário do que os médicos afirmam, preferem o parto normal.

Dados preocupantes

O ginecologista e obstetra Claudio Basbaum apresenta um quadro bastante
alarmante quanto a realidade dos partos no Brasil.
Dados obtidos da II Conferência Internacional sobre Humanização do Parto
e Nascimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em dezembro de 2005,
alertam que a situação da cesárea no Brasil continua muito preocupante.
Sua taxa alcança o índice de 40% nos hospitais do SUS (Sistema Único de
Saúde) e ultrapassa a casa de 90% nos hospitais particulares. Segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que o total de
cesareanas não poderia ultrapassar o limite de 15%.

Uma vez cesárea, sempre cesárea?

Em 1916, um médico americano chamado Craigin baseado em seus estudos
sobre cesária e em função dos riscos que esse tipo de parto oferecia, afirmou
“once a section, always a section” (uma vez cesárea, sempre cesárea).
Naquela época, os procedimentos utilizados em um parto cesárea eram bem
diferentes dos utilizados atualmente. Os médicos faziam uma incisão
vertical no útero, a anestesia era geral e não existia antibióticos. “Muitos
médicos até hoje no século XXI repetem o dito de Craigin, e alguns nem
sequer discutem a possibilidade de um parto normal em uma segunda
gestação”, alerta Meira.

Para o Dr. Adailton, os dados científicos revelam que existem de fato a
possibilidade do parto normal após a cesárea, embora não haja um
consenso sobre a questão. “A chance varia entre 50% a 85%, em média 65%,
se a mulher entrar em trabalho de parto, o que também varia em torno de
70% de possibilidade. Matematicamente a chance existe, portanto!”, diz ele.
Entretanto, é preciso ter uma conversa franca sobre as possibilidades e
riscos que envolvem um parto normal após uma cesárea. “É preciso
respeitar alguns princípios médicos, uma vez que um útero já operado
apresenta uma área cicatricial que pode oferecer risco de romper durante o
trabalho de parto”, explica o obstetra Claudio Basbaum.

Outras fatores, tais como o peso do bebê, avaliação da estrutura óssea da
bacia da mulher e o tempo um ano entre um parto e outro, contribuem para
a não realização de uma outra cesárea. “É preciso avaliar quais foram as
condições do parto anterior, para que evitemos a 'cesárea encomendada',
sem indicação médica real”, diz Basbaum.

O obstetra Claudio Basbaum alerta que as pacientes já submetidas a uma
cesárea não devem ser submetidas a um indução antes de um ou dois anos
após o parto anterior, e apenas com uma substância chamada “ocitocina”.

É preciso participar

Ter um parto normal após uma cesárea, é uma situação delicada que o
médico tem que enfrentar junto com a gestante. “O médico tem que lidar
com a expectativa de uma mulher, um projeto de vida, um plano, um
coração, uma esperança”, diz Meira

O desejo de ter uma parto normal é o primeiro passo, mas a gestante não
pode e nem deve ficar por aí. Além da força de vontade, a gestante deve
praticar exercícios, cuidar de sua alimentação e reservar um tempo em sua
rotina para o bebê. “Acima de tudo, a gestante precisa ter o espirito aberto
para a grande aventura do parto, e quem sabe outra cesariana, o que
importa é o processo e a participação”, orienta ele.

Dor no parto, como superar?

Muitas mulheres recorrem a uma cesárea para escapar do “sofrimento” do
parto normal. Entretanto a dor do parto é algo que pode é deve ser
trabalhado durante a gestação. Além disso, existe o recurso da anestesia,
que pode ser utilizado quando necessário.

Escolher o tipo de parto em função da dor, faz com que a gestante esqueça
de considerar o pós-parto sem dor. “A cesariana tem um pós-parto muito
mais desconfortável e arriscado. Também expõem o bebê a complicações
respiratórias por imaturidade pulmonar, por erro na avaliação do prazo
gestacional”, explica Basbaum.

Doulas fazem bem!

Doulas (do grego “Mulher que serve”) são profissionais que trabalham com
gestantes e seus companheiros, da gestação ao pós-parto, oferecendo apoio
emocional e informações sobre tudo o que significa ser mãe e pai. “As
doulas não são médicas, não são parteiras e não são enfermeiras, são
acompanhantes da parturiente”, explica a doula Lucía Caldeiro e vicepresidente
da Associação Nacional de Doulas (Ando).

Esse apoio se manifesta em medidas de conforto como respiração,
relaxamento, banhos, palavras de acolhimento e apoio. Seu objetivo é
proporcionar a gestante um parto seguro, mais tranquilo, gratificante de
acordo com os limites da mãe.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a presença de
doulas durante a gestação e na hora do parto podem ajudar a diminuir a
realização de partos cesárea. “A doula pode auxiliar a gestante a testar os
limites de suas próprias capacidades e passar por dimensões possivelmente
ignoradas antes, contribuindo no fortalecimento na confiança de si mesma”,
afirma Lucía.

Parto que cura (depoimento da repórter)

O parto da minha primeira filha foi um cesárea, o que me deixou
imensamente frustrada enquanto mulher, não enquanto mãe. Me preparei
desde do início da gestação. Fiz natação e hidroginástica, não engordei
muito e decidi, sem nenhuma possibilidade de mudança que meu parto
seria normal. No sétimo mês de gravidez, eu e meu marido constatamos
através do ultra-som, que a nossa pequena Yasmin estava sentada. Não
desanimei, continuei firme no meu projeto.

No final da gravidez, ela continuava sentada, então nesse momento a
obstetra decidiu marcar a cesárea, pois afirmava que seria impossível para
um bebê daquele tamanho virar (ela estava com 3.600kg). Eu não entraria
nem em trabalho de parto. Não consegui responder, e pedi alguns dias para
pensar. Insegura me deixei levar, e na hora do parto, quando ela abriu a
barriga, o meu bebê estava virado...

Cinco anos depois, engravidei da minha segunda filha. Me preparei da
mesma forma que a primeira. Apenas com três pequenas diferenças que
foram decisivas: um obstetra que abraçou de forma realista o meu projeto
de parto normal após um cesárea, uma doula que me ajudou a resgatar a
mulher que há em mim e tranqüilidade para aceitar o parto que fosse
possível apesar dos meus esforços. Conclusão: Helena nasceu de parto de
cócoras em menos de cinco horas e eu fiz as pazes comigo mesma. Mas essa
história não é uma regra, é apenas a minha história.

Consultores:
Lucia Caldeyra - pedagoga, psicodramatista, terapeuta corporal e doula, vicepresidente
da Associação Nacional de Doulas (Ando), membro da Rehuna (Rede
pela Humanização do Nascimento e do Parto). luciacaldeyro@superig.com.br
Adailton Salvatore Meira - ginecologista, obstetra e homeopata, membro da
comissão de coordenação da Rehuna Brasil (Rede pela Humanização do Nascimento
e do Parto). adailton@salvatoremeira.com.br
Claudio Basbaum – ginecologista e obstetra, introdutor do parto Leboyer no Brasil e
membro do Corpo Clínico da Maternidade São Luiz, em São Paulo.
ageimage@globo.com
Fonte: MamaMia

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